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A hora da chacoalhada
por Pé na Rua em 01/08/2011
Nos últimos meses, o Pé na Rua andou um bocado. Além das matérias que costumamos fazer na Região Metropolitana do Recife, pegamos a estrada e fomos além da fronteira do litoral. Assim chegamos em Caruaru, onde fizemos alguns programas, sendo que dois ao vivo, durante o São João mais conhecido do Brasil.
Também fomos a Garanhuns e, mais uma vez com o apoio da TV Pernambuco, fizemos um programa ao vivo e gravamos outro.
Essas idas e vindas despertaram na gente o sentimento de que existe muita coisa a se ver e de que é cada vez mais importante a inclusão de todo o estado (no mínimo) não só no nosso programa, mas em toda a programação televisiva, em especial na tevê pública, que luta para se consolidar.
A experiência de se trabalhar com poucos recursos num ambiente de colaboração também nos faz, a cada dia, perceber que o Pé na Rua pode muito bem extrapolar a barreira dos quadros e produzir coisas novas, diferentes a cada semana.
Como ninguém faz nada sozinho (especialmente a gente), vamos jogar aqui a pergunta:
O que você mudaria no Pé na Rua?
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Na Rua, de Rua
por TarcÃsio Camêlo em 07/07/2011
Sim, eles existem e também têm direitos de viver com dignidade e respeito. Estou falando das milhares de pessoas que vivem em situação de rua nas grandes cidades e nos municípios espalhados por todo o Brasil e sofrem com uma série de violação dos seus direitos todos os dias. Pessoas que estão nessa situação por diferentes motivos, um grupo heterogêneo que muitas vezes é mal visto - quando é visto - pela sociedade. E, às vezes, chega até a ser vítima de violência moral e física.O Pé Na Rua colocou em pauta essa temática para ser discutida no quadro "Diga Aí" e acabou caindo na minha mão o desafio de produzir e conduzir a reportagem. Depois de quase seis meses de programa atuando como produtor, repórter e assistente de câmera e de ter trabalhado na promoção de várias matérias, sempre que a gente pega uma pauta como essa dá aquele friozinho na barriga. Deve ser por isso que gosto tanto de fazê-lo, pois acabo muitas vezes complementando minhas opiniões e tirando minhas dúvidas sobre os temas.Para essa pauta, coloquei o pé na rua, junto com o nosso câmera Felipe Lima, por dois dias. O primeiro dia estava com a produção toda arrumadinha, já sabendo aonde iria e quem entrevistaria. Conheci uma galera massa que tem opiniões bem construtivas sobre o assunto, mas, muitas vezes, a correria da pauta não nos permite conversar por muito tempo com quem cruza nosso caminho.Já no segundo dia, Felipe e eu saímos com a equipe reduzida. Agora, com o coração e os olhos bem abertos, voltados para essas pessoas que vivem em situação de rua pela cidade. Nosso propósito era garantir que esse grupo também fosse representado na matéria e fosse ouvido, afinal de contas, a discussão é sobre eles.Logo de cara, encontramos a mãe de um morador de rua desesperada para que ele voltasse pra casa e abrimos o microfone. Ela pediu ajuda às autoridades, pois seu filho encara uma série de distúrbios mentais e precisava de um tratamento garantido pela saúde pública.Foi massa conhecer também algumas políticas públicas que a galera do IASC (Instituto de Assistência Social e Cidadania) realiza no Recife. Através do pessoal do Instituto, conheci Ana, uma ex-moradora de rua que está super feliz por ter conquistado o seu direito à moradia e por poder viver feliz com os seus filhos.Depois, seguimos para o centro do Recife, onde se concentra o maior número de moradores de rua. Pensei que seria difícil abordar o pessoal e conseguir uma entrevista sobre o assunto. Achava que essas pessoas se recusariam a falar, por medo de que a matéria levantasse questões negativas sobre suas vidas. Quase sempre mal vistos pela sociedade, não seria muita surpresa se houvesse essa resistência. Alguns se permitiram ser filmados, mas não deram entrevistas. Com o coração na mão, cheguei à conhecida Praça do Diário e lá conheci Vanderlei da Silva, um cara muito gente fina. Conversamos um pouco e eu expliquei como era a história do programa; ele topou fazer a entrevista na hora. Contou pra gente a sua história e tudo que pensa sobre o assunto.Produzir esse Diga Aí foi realmente emocionante por encarar, de peito aberto, o desafio de mostrar à sociedade os verdadeiros cidadãos que vivem em situação de rua, além de divulgar que existe muita gente trabalhando para as melhorias das políticas públicas voltadas a esse grupo. Hoje, vejo toda essa discussão de outro jeito. Vejo essas pessoas de outra forma. Continuo achando que essa população tem, sim, que ter seus direitos garantidos, mas agora minha mente está muito mais aberta e eu estou mais ciente da realidade.Difícil mesmo foi depois: ter que decupar e editar essa matéria diante de tantos depoimentos legais. Confiram como ficou. Lembrando sempre que o debate não para por aqui. Diz aí o que você também pensa sobre o assunto!
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Andar de bicicleta "É Fácil"
por Nathália Gomes em 16/05/2011
Leo Antunes topou participar desse "É Fácil" e dar o exemplo pra muita gente que já anda de bicicleta ou que quer adotar esse meio de transporte. Antunes é cicloativista e preza pela segurança do ciclista no trânstiro. Ele também está na luta pra que os poderes públicos sejam mais ativos na hora de formular políticas públicas pra quem anda de bicicleta na cidade.
Valeu Leo!
Segue abaixo um trecho do texto que Leo escreveu para o seu blog olhar.amador
"Como alguns sabem sou ciclista por opção já a alguns anos. Faço da minha bicicleta o meu principal meio de transporte. Claro, não deixo de andar de ônibus ou a pé, e nem muito menos de carro. Faço apenas o uso consciente destas possibilidades. A bicicleta para mim é uma ferramenta essencial para me locomover com agilidade no trânsito caótico e travado do Recife. Além disso, obviamente, estou cuidando da minha saúde e contribuindo para uma cidade limpa.
Falei isso tudo pq sempre tive a impressão que a gestão pública nunca levou a sério o batalhão de pessoas que andam de bicicleta na nossa cidade, não falo aqui dos noturnos “corujaqueiras” e sim dos trabalhadores que enchem as ruas indo e vindo dos seus locais de trabalho. Muitos deles, inteligentemente, perceberam os benefícios para o seu bolso, tempo e saúde."
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As lições de Wilma
por Nathália Gomes em 11/04/2011
Posso dizer que foi um dia diferente pra mim. Juntei a equipe do Pé na Rua e fomos até o bairro da Boa Vista, na Rua Giriquiti, onde iríamos gravar o quadro “Nossa Cara” com Wilma Melo. Acordei, fui trabalhar e sair para gravar uma nova pauta para o Pé na Rua, minha rotina nesses últimos meses. O que eu não sabia ainda era que aquela visita a Wilma, podendo escutar um pouco da história de vida e das lutas dessa mulher, seria tão especial pra mim.
Wilma é uma senhora com mais de 50 anos. Há 20 anos, trabalha lutando pelo respeito aos diretos humanos, especialmente nas prisões, onde sua atuação é mais intensa. Ela criou, junto com outros familiares de presos, o Sempri – Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões, e está sempre em busca de conhecimentos na área. Hoje Wilma é estudante de mestrado na área de psicologia e divide o tempo entre os filhos, a casa, a militância, as aulas que ministra na auto-escola e os diversos cargos que ocupa em diferentes conselhos. Um dia-a-dia corrido, mas que ela leva com muita responsabilidade e comprometimento.Essa senhora lutadora talvez não admita, mas tem muito o que dizer pra gente. Sua vida cheia de dificuldades não foi o suficiente para fazê-la baixar a cabeça. Pelo contrário, agora luta e luta por uma sociedade mais humana, mais comprometida com a vida. Uma sociedade que é a mesma que nós queremos. Porém que às vezes não temos tamanha força de vontade pra ir atrás dela.Wilma nos recebeu em sua casa como nós gostaríamos de ser recebidos em todos os lugares, com muito carinho e muita honestidade. Contou um pouco de si e nos mostrou o seu lado de lutadora social, forte e sempre pronta para denunciar os abusos, mas especialmente o de uma mulher sensível e persistente.
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Baculejo passado a limpo
por Ivan Moraes Filho em 01/04/2011
Na semana em que resolvemos produzir um Diga Aí sobre o baculejo, diversos casos de violência policial vieram à tona na Região Metropolitana do Recife. Primeiro, foi divulgado na internet um vídeo em que um rapaz preso era torturado na beira mar de Piedade. Depois, descobriu-se uma gravação em que dois rapazes eram obrigados a beijar-se na boca dentro de uma delegacia. Logo em seguida a imprensa denunciou que PMs haviam ordenado que um rapaz lhes fizesse sexo oral.
Aqui e ali, todo mundo conhecia pelo menos uma história de baculejo. Na própria equipe do programa, diversos de nós já passamos por uma situação de constrangimento nesses momentos. Tapas, palavrões, agressões. Pareciam ser mais a regra que a excessão.
Tarcísio Camêlo e Marcele Lima foram à pauta e não demoraram para achar um bocado de gente disposta a relatar sua experiência.
Difícil mesmo foi conseguir uma fala de representantes da Secretaria de Defesa Social. Por mais de uma vez, nos foi requisitado que enviássemos as perguntas previamente - o que fizemos, mesmo a contragosto.
No dia da gravação, a informação era que ninguém iria falar, que não havia esclarecimentos a serem dados. Ora, mas não é função do poder público informar a sociedade sobre como funciona seu trabalho? A assessoria do secretário Wilson Damásio, aparentemente para driblar perguntas sobre os episódios do primeiro parágrafo (o que nem era nossa intenção), também driblou nossa equipe.
Pelo governo, acabou falando o pessoal da Secretaria de Direitos Humanos. Também contamos com a presteza e a cordialidade do delegado José Silvestre, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais. Com coerência e tranquilidade, o policial nos recebeu e falou sobre o que pode e não pode ser feito nas buscas pessoais.
Como você pode ver na matéria, muita gente usou nosso microfone ou mandou vídeos falando sobre o tema. Mas não se engane: com as câmeras desligadas os relatos eram bem mais fortes. Era gente que teme dizer pelo que passou. Nem de rosto coberto. Nem com a voz alterada. Incontáveis denúncias que jamais chegaram às autoridades competentes, que jamais serão apuradas.
Fica o recado dado. Como diz o próprio Silvestre, a polícia foi feita para servir. Casos de abuso podem - e devem - ser denunciados. Para isso existem as corregedorias e ouvidorias. Para isso existe o Ministério Público e as entidades de direitos humanos. Para isso existe inclusive a imprensa. Quanto mais gente abrir a boca, melhor será a polícia que nós teremos.
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